UE tenta impor aos trabalhadores europeus reforma que legaliza demissões injustificadas

CSP Conlutas

A UE (União Europeia) planeja mais um ataque contra os trabalhadores. Como se não bastassem os chamados pacotes de austeridade que retiram direitos, rebaixaram salários e atacam as aposentadorias, vem ai outra ameaça que aprofunda ainda mais os efeitos da crise impostos aos trabalhadores europeus.

A UE exigirá do governo da Espanha que faça uma reforma trabalhista chamada de “contrato único” , com o objetivo de legalizar as demissões injustificadas dos trabalhadores. Com isso, a empresa reduziria os custos com indenização pelo desligamento do funcionário.

Entretanto, até o momento,

o governo espanhol considerou a proposta

inconstitucional e em “primeira instância, tanto base governista quanto oposição refutaram o projeto”.

Os sindicatos do país também são contra a medida que afirmam ser

“uma antiga fórmula neoliberal, em que o custo da demissão é reduzido de acordo com o interesse patronal e põe o trabalhador em uma situação delicada, aceitando qualquer tipo vaga profissional, pois precisam de dinheiro”.

Veja matéria que saiu no Opera Mundi:

UE exige reforma trabalhista na Espanha para legalizar demissões injustificadas

Com o “contrato único”, trabalhadores poderiam ser desligados do trabalho sem nenhum tipo de remuneração

A UE (União Europeia) anunciou nesta quarta-feira (15/05) que exigirá que o governo espanhol realize uma reforma trabalhista no país para legalizar as demissões injustificadas. O objetivo seria de reduzir os custos das indenizações aos funcionários demitidos. A medida vem sendo chamada pelos dirigentes europeus de “contrato único”. As informações são do portal Telesur.

O comissário europeu de Empregos, László Andor, em visita a Madrid, afirma que o país precisa tomar medidas drásticas agora e “a longo prazo” para driblar o problema do desemprego. O contrato único seria essa saída. “Muitas vezes, é preciso realizar mudanças legislativas para encontrar uma solução para o problema”, analisa.

A UE lamentou que o governo espanhol tenha caracterizado como “inconstitucional” a proposta de contrato único – em primeira instância, tanto base governista quanto oposição refutaram o projeto.

O argumento utilizado pelos dirigentes da UE é que a proposta diminuiria as contratações temporárias e traria uma nova modalidade de vínculo empregatício, que poderia remunerar os trabalhadores de forma mais sustentável aos empregadores.

No entanto, os sindicatos espanhóis acreditam que a medida é uma antiga fórmula neoliberal, em “que o custo da demissão é reduzido de acordo com o interesse patronal e põe o trabalhador em uma situação delicada, aceitando qualquer tipo vaga profissional, pois precisam de dinheiro”.

No final de abril, o número de desempregados na Espanha superou pela primeira vez a marca de seis milhões de pessoas, ao alcançar 27,16% da população ativa no primeiro trimestre do ano. Os dados oficiais foram levantados em uma pesquisa da EPA (Enquete de População Ativa) e registram um recorde de uma série histórica iniciada em 1970.

A Espanha tem atualmente 6.202.700 desempregados, depois que, nos três primeiros meses do ano, o contingente de pessoas sem trabalho aumentou em 237.400.

Explicações

Uma das explicações para os maus resultados na política de emprego e no dinamismo econômico do país é creditada por políticos de oposição e economistas às enormes somas derramadas no sistema financeiro mundial pelos principais bancos centrais. Se, por um lado, elas têm aliviado a pressão do mercado de títulos na Espanha, os cortes coordenados pelo governo em Madri para gastar na recuperação da confiança dos investidores têm deixado o país em profunda recessão.

O colapso de um boom imobiliário impulsionado pelo crédito barato causou milhões de demissões no setor de construção civil desde 2009, enquanto o setor de serviços privados, responsável por quase metade do PIB (Produto Interno Bruto), seguiu a mesma direção, com os espanhóis apertando os cintos e o investimento despencando.