DOCENTES DA UERJ DEFLAGRAM GREVE POR RECOMPOSIÇÃO SALARIAL E CONTRA PRECARIZAÇÃO

No dia 19 de março de 2026, a categoria docente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) deu um passo decisivo na organização da resistência classista. Em assembleia realizada no Auditório 11, o espaço mostrou-se insuficiente para comportar a mobilização: mais de 300 professores(as) ocuparam todas as cadeiras e dezenas permaneceram de pé, demonstrando o esgotamento da paciência da categoria e a disposição de enfrentamento ao Governo Estadual. A deliberação coletiva resultou na aprovação da greve por tempo indeterminado, com início previsto para a próxima quarta-feira, 25 de março.

A deflagração do movimento paredista fundamenta-se na contínua precarização da força de trabalho. Os docentes acumulam, desde 2018, uma perda inflacionária calculada em 26%. Embora o Governo tenha implementado uma recomposição parcial, determinada pela lei 9436/2021, pagando metade em 2022, o montante é insuficiente para estancar a corrosão do poder de compra. A reivindicação imediata da categoria exige a aplicação total da recomposição salarial para compensar o passivo histórico acumulado.

A decisão pela greve configura uma resposta direta ao projeto de sucateamento que avança sobre o serviço público fluminense. Para os trabalhadores da educação, a greve é a ferramenta necessária para confrontar a política de arrocho salarial e a manutenção do Regime de Recuperação Fiscal (RRF). Este mecanismo, sob a lógica do capital, prioriza o pagamento de juros da dívida pública em detrimento do financiamento da ciência, da tecnologia e da manutenção das carreiras dos servidores.

As reivindicações centrais giram em torno da recomposição das perdas inflacionárias acumuladas, da revogação da lei 194/2021, que extinguiu os triênios dos servidores estaduais, e da luta por orçamento para a Universidade, que garanta condições básicas para o funcionamento da UERJ. Essa mobilização ultrapassa a pauta econômica imediata. Trata-se de uma disputa política sobre o papel da UERJ na estrutura social do Rio de Janeiro, resistindo à tentativa de transformar o direito à educação em uma mercadoria precária e desvalorizada.

A paralisação das atividades é um passo tático para evidenciar a crise gerada pelo Governo do Estado. A unidade entre docentes, técnico-administrativos e o corpo discente é fundamental para que a greve se torne um polo irradiador de resistência dos trabalhadores. A força demonstrada na Assembleia, com centenas de docentes ocupando o espaço físico e político da Universidade, indica que a categoria está preparada para enfrentar os embates necessários contra a imensa precarização de seu trabalho.

Atualização de informes:

Cumprindo deliberação da assembleia realizada ontem, 25/3, o Comando de Greve Docente se reuniu, de forma emergencial, com a Reitoria da Uerj no início desta tarde.

No encontro, a Reitoria se comprometeu a intermediar a realização de uma audiência do Comando de Greve com a nova Secretária de Ciência e Tecnologia do estado, Renata Sphaier de Freitas.

Um primeiro contato já foi feito durante a reunião desta tarde.

A ideia é que a audiência ocorra na próxima quarta-feira, 1° de abril, quando os docentes realizarão um ato público na Secretária de Ciência e Tecnologia, às 14h.

Dois dias antes, no dia 30 de março, acontecerá uma nova Assembleia para consolidar o Comando Geral e os Comandos Locais de Greve. A Assembleia, desta vez, será na Capela Ecumênica, a partir das 14h.
A greve é construída por cada um(a) de nós!

Participe!

Por Fernanda Shcolnik, 1a vice-presidente da ASDUERJ