Balanço da Unidade Classista sobre as eleições do Sindicato dos Bancários de Brasília

A Unidade Classista, corrente sindical do Partido Comunista Brasileiro (PCB), esteve presente nas eleições do Sindicato dos Bancários de Brasília, nos dias 9 a 13 de março, construindo a chapa 2 – Alternativa Bancária, enquanto campo de oposição à atual diretoria ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT). Passado o processo eleitoral, temos o seguinte balanço:
Nós da Unidade Classista estivemos presentes da fundação da Alternativa Bancária à montagem da chapa e construção da campanha, desde 2024 ainda na eleição da Cassi, onde apoiamos a chapa composta por setores de oposição nacional à Contraf. De lá para cá, buscamos a unidade com setores do PSOL, UP, PCBR e independentes, junto à campanha salarial daquele ano até a construção do que se tornaria a Alternativa Bancária.
Entretanto, alguns aspectos dessa construção nos colocaram em divergências com essa composição, hegemonizada por um grupo com posturas e práticas que nada diferem da CUT e demais forças burocratizadas no movimento sindical: a imposição das decisões via força majoritária prejudicou diversos aspectos preocupantes na construção da chapa, como a formação desta, a composição dos cargos, mesmo numa chapa que defendia a diretoria colegiada.
O uso das redes sociais da chapa como autopromoção da força majoritária, jogando as tarefas mais pesadas para as outras forças, que literalmente carregaram o piano da campanha, mostram que não adianta criticarmos a CUT se, numa chapa de oposição ainda em processo de enraizamento na categoria, temos as mesmas práticas. Mais preocupante pra nós foram alguns aspectos táticos e programáticos que nos afastam hoje dessa permanência na Alternativa Bancária:
Fizemos toda a campanha sem o documento do programa da chapa finalizado, demonstrando total amadorismo e irresponsabilidade para com a base. Além da ausência, alguns pontos propostos pela Unidade Classista foram ignorados ou negados pela força majoritária, o que pra nós são princípios enquanto corrente sindical que não abrimos mão:
A Unidade Classista propôs a construção de um seminário sobre os rumos do movimento sindical para a categoria, convidando as centrais sindicais do nosso campo para participar, tendo como consequência a convocação de uma assembleia para a desfiliação do sindicato à CUT, proposta essa recusada usando como argumento que a categoria não tem conhecimento do assunto. É estranho, visto que o papel das forças sindicais de vanguarda é exatamente o de suscitar o debate crítico e a consciência de classe na categoria. Tal posição demonstrou o amadorismo e a inexperiência nos debates essenciais para o movimento sindical.
A Unidade Classista defende a construção do Encontro Nacional da Classe Trabalhadora (Enclat) como ferramenta de retomada das lutas sindicais no país, proposta que foi recusada a sua inclusão no programa da chapa, por discordâncias da força majoritária que não apresentou nenhuma contraproposta. Como não tem formulação consolidada sobre os rumos do movimento sindical no país, preferiram rejeitar a nossa proposta por mera birra, focados em sua autoconstrução.
Mesmo com todas essas situações bizarras, mantivemos nosso compromisso na chapa, pois o nosso compromisso é com a categoria, não com a autopromoção, como vimos durante todo o processo eleitoral, que diante de todas essas fragilidades, para nós da Unidade Classista o resultado foi aquele que já visualizávamos: existe uma parcela da categoria insatisfeita com a condução do sindicato, que naturalmente vota em chapas de oposição, mas que temos o desafio de sindicalizar essas pessoas, tarefa essa não realizada pela Alternativa Bancária com afinco, devido à prioridade da força majoritária em se autoconstruir.
Os 31% de votos na chapa da Alternativa Bancária mostram que o desafio é grande e que não podemos contar com situações oportunistas e aventureiras. Não adianta criticarmos a CUT e mantermos as suas práticas, o que é pior, pois quem se sujeita a isso ainda enquanto oposição mostra o quão danoso pode ser na condução de um sindicato com tamanha estrutura como é o Sindicato dos Bancários de Brasília.
Sabemos que temos grandes desafios com a campanha salarial deste ano, onde a Contraf deverá impor um cenário de parcas mobilizações e aprovação imediata do acordo, com a finalidade de garantir o giro sindical nas eleições parlamentares deste ano, sem tencionar com as fragilidades e contradições do atual governo Lula, que não se mobiliza para revogar as reformas trabalhista e previdenciária.
Neste sentido, se queremos fazer a mudança no sindicato daqui quatro anos, não será repetindo as mesmas práticas da eleição atual, mas sim com uma chapa forte e capaz de atender aos interesses da categoria, sem oportunismos fingidos de inexperiência. Portanto, nós da Unidade Classista devemos continuar enquanto setor de oposição, mas definimos que não continuaremos dentro da Alternativa Bancária, pois esta se comporta como uma corrente sindical ou de transmissão dos interesses de uma organização da qual não temos qualquer confiança.
Nessa campanha salarial que se aproxima, nós da Unidade Classista fazemos um chamado à categoria para lutar pelas seguintes pautas fundamentais para a retomada das mobilizações de massa da categoria:
Defesa do Encontro Nacional da Classe Trabalhadora (Enclat)
Jornada de seis horas para toda a categoria
Fim das metas e do assédio
Cassi e Saúde Caixa: Fim da distinção pós 2018, do teto de gastos e diminuição da contribuição dos funcionários