Eleição da construção civil de Fortaleza: mais uma vez, um chamado à unidade

Manifesto do Bloco de Esquerda (Unidade Classista e Movimento Por Uma Alternativa Independente e Socialista), Fortaleza-CE.

 

O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil de Fortaleza é um dos maiores e mais importantes da cidade. De larga tradição de luta. Um dos suportes dos grandes enfrentamentos dos trabalhadores com o coronelismo local e lutas nacionais. Foi construtor da CUT em seus gloriosos tempos de luta e o primeiro a romper com ela, quando esta central ingressou no governo petista. Foi o primeiro no estado a se filiar à CSP- Conlutas, central que os companheiros do MAIS fundaram e constroem desde então. Os companheiros da Unidade Classista não a compõem, mas a consideram de luta.

Este sindicato ao longo de sua trajetória teve chapa única nas suas eleições. Mesmo quando havia diferenças políticas se recorria à assembleia de base para realizar Convenção e assim manter a unidade do sindicato. Poucas vezes tivemos mais de uma chapa disputando o processo eleitoral. Em 1994, quando os companheiros do MAIS estavam fundando o PSTU no Ceará, foi realizada convenção cutista (éramos da CUT na época) para incorporar os militantes do PCB e do PT que surgiram na categoria.

Em 2000, houve uma chapa de oposição encabeçada por Zé do Balde ligado ao grupo de Maria Luiza da Fonseca na época. Frente à chapa de oposição, fizemos unidade que garantiu PSTU, PCB e PT juntos, para enfrentar a chapa de oposição de Zé do Balde. Posteriormente, seguiu-se tendo chapa única para nossa entidade, mas sempre preservando a representatividade dos grupos atuantes na categoria. Em 2006, novamente voltamos a ter mais de uma chapa disputando o processo eleitoral. Uma chapa da CSP-Conlutas e Unidade Classista juntos, e do outro lado, uma chapa cutista que considerava que o centro dos sindicatos deveria ser o suporte ao governo Lula.

De 2003 para cá, quando a entidade se filiou à CSP-Conlutas, sempre estivemos com chapa única, abarcando militantes da CSP-Conlutas e da Unidade Classista. A atual diretoria, eleita em 2015, foi fruto de uma chapa única da CSP e Unidade Classista. Essa história de unidade que tem garantido a potência de luta que é esta entidade está ameaçada. Pela primeira vez, um setor da CSP-Conlutas ligados ao PSTU, se recusa a manter a unidade e seguir a aliança com a Unidade Classista.

Dias 16, 17 e 18 de maio haverá eleição para este sindicato. Até o momento se inscreveram 3 chapas: Chapa 1 “UNIÃO E LUTA” (CSP-Conlutas e Unidade classista), chapa 2 “É NÓS” (chapa de oposição ligada a patronal, que se reivindica cutista) e chapa 3 “JUNTOS E MISTURADOS” (CSP-Conlutas). A base assiste atônita sem entender porque a CSP está dividida, visto que estivemos juntos na mesma cidade nas eleições dos rodoviários, e estivemos juntos nas eleições dos metalúrgicos de São José dos Campos.

Nós do bloco de esquerda, Unidade Classista e MAIS, que compomos a chapa 1, estivemos desde o ano passado, chamando a manter a histórica unidade da CSP e Unidade Classista. Entendemos que mais que nunca, diante da conjuntura pós golpe do impeachment, as contrarreformas de Temer e a intervenção militar no Rio de Janeiro, a UNIDADE para fortalecer a organização e luta dos trabalhadores é a coisa mais importante.

As divergências em uma série de problemas, que se referem à política nacional, não devem impedir que se faça uma tentativa honesta de se construir a unidade da esquerda na eleição do nosso sindicato. Uma política de divisão não ajuda a organizar a nossa classe e não faz crescer a nossa luta, e ainda pode pela primeira vez se entregar essa combativa entidade a um setor claramente ligado a patronal o que seria uma irresponsabilidade com nossa classe.

Ainda é possível rediscutir as chapas. Uma chapa unificada da CSP-Conlutas e Unidade Classista, como tem ocorrido há anos, é possível e necessária. Só depende dos companheiros que são maioria na CSP-Conlutas. Já fizemos três materiais apelando à unidade na base da categoria.  Já há trabalhadores que se perguntam: por que os que vestem a blusa vermelha do sindicato não se unem na eleição do nosso sindicato?

Agora, escrevemos ao movimento sindical e ativistas do Brasil inteiro, para que nos ajudem neste apelo à unidade. Perder a Unidade da CSP-Conlutas é uma tragédia no marco da ampla unidade que hoje é necessária para derrotar o governo e os patrões. Por uma chapa unificada da CSP-Conlutas e Unidade Classista nas eleições do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Fortaleza. Os trabalhadores necessitam disso. Responsabilidade e generosidade política neste momento é fundamental.

 

Àquele e aquela dirigente sindical que queira subscrever este manifesto e nos ajudar nesta empreitada, enviar e-mail para  organização@unidadeclassista.org.br ou fflaviopdossantos@gmail.com

 

Eleição da construção civil de Fortaleza: mais uma vez, um chamado à unidade