Discurso do Secretário Geral da FSM na 106ª Conferência da OIT

Prezados Colegas,

Em nome da Federação Sindical Mundial, queremos fazer uma forte saudação a todos os representantes das organizações sindicais de trabalhadores.

Vivemos um período em que a vida, a qualidade de vida, o trabalho e as condições de trabalho para a classe operária e os camponeses pobres seguem piorando dia a dia em todo o mundo capitalista.

A situação é crucial para todos os trabalhadores; as gerações mais jovens, os jovens trabalhadores, os jovens cientistas e os jovens camponeses vivem na incerteza e insegurança para o futuro.

A FSM está organizando a resistência e as lutas dos sindicatos em todos os cantos do mundo, a fim de defender as conquistas dos trabalhadores de todos os países e setores.

A partir desta tribuna, condenamos as perseguições sindicais no Cazaquistão; expressamos nossa solidariedade com os sindicalistas na Colômbia que sofrem a violência de grupos paramilitares; estamos ao lado, especialmente, de sindicalistas colombianos que lutam contra o desmantelamento dos seus sindicatos. Ao lado dos trabalhadores de Honduras lutando por acordos coletivos, ao lado dos professores no México, em suas lutas contra as reformas educacionais, expressamos nossa solidariedade com os ex “Braceros” e nossos irmãos em Angola. Expressamos nossa solidariedade com os professores e a classe trabalhadora na Turquia que sofrem as consequências das políticas anti-democráticas do Governo turco. Condenamos a política anti-trabalhista da multinacional SAMSUNG e apoiamos o Sindicato Geral de Trabalhadores da Samsung e seu Secretário Geral, Kim Sung Hwan, que foi preso por 3 anos por causa de sua atividade sindical.

A situação é complicada e incerta. A pobreza extrema e alto desemprego geram muitas dificuldades no desenvolvimento das lutas.

Mas não temos escolha. É nosso dever unir todos os trabalhadores de acordo com sua classe social e organizar a nossa resistência, às vezes de maneira defensiva e às vezes para atacar. Com uma estratégia flexível e inteligente para ter resultados concretos positivos para os trabalhadores.

Junto com a luta por nossos direitos econômicos, sociais, democráticos e sindicais que realizamos, também devemos consolidar nossas ações contra as estratégias do imperialismo, das multinacionais e transnacionais, que causam derramamento de sangue à muitos povos e obrigam milhões de pessoas a deixar seu país, sua região e seu lar.

Como FSM, temos a nossa solidariedade e internacionalismo com os povos e países que sofrem com intervenções imperialistas na vanguarda das nossas lutas dentro do movimento sindical internacional.

– A Venezuela está agora na mira das políticas dos Estados Unidos e seus aliados.

– Cuba continua sofrendo o criminoso bloqueio dos Estados Unidos que dura mais de 55 anos.

– O povo palestino ainda vive sem ter seu próprio país, enquanto milhares de crianças palestinas estão encarceradas em prisões israelenses.

– O povo sírio sofre com os ataques de milhares de mercenários que foram recrutados e apoiados pelos imperialistas.

– O povo do Iraque, Mali, Líbia, Afeganistão, sofre com as políticas antidemocráticas.

– A região do Golfo está em chamas por causa de disputas econômicas e antagonismos inter-imperialistas.

– O povo mexicano é vítima do racismo e das ameaças do presidente dos Estados Unidos, que ameaça construir um muro e perseguir todos os imigrantes econômicos.

Este é o quadro da realidade obscura do capitalismo atual.

Nestas circunstâncias, a classe operária mundial, todos os trabalhadores, precisam de um movimento sindical militante, eficiente e ativo. Necessitamos de sindicatos valorosos, que resistam, que sejam democráticos. Que prestem atenção à base dos seus membros e para unir todos os trabalhadores, independentemente da sua religião, etnia, gênero ou idioma.

No contexto atual, o tema “Construir um futuro com trabalho decente” é mais preciso do que nunca e só pode ser alcançado através das lutas de classe que colocam como central  a satisfação das necessidades atuais dos trabalhadores.

O movimento sindical também precisa de uma OIT representativa, sem exclusões ou discriminações; com igualdade de tratamento dos seus sindicatos membros, com democracia e transparência.

Neste sentido, a FSM criou e distribuiu um texto de princípios gerais. Continuaremos nossa luta até que se termine o quadro unilateral atual do Conselho de Administração. A representação proporcional, igualdade e transparência são as condições prévias para o trabalho decente e para relações decentes.

Obrigado.

 

Extraído de http://www.wftucentral.org/the-wftu-general-secretary-addressed-the-106th-ilc-plenary-session-today-on-june-12th-2017/

Tradução: Giovanni Frizzo

Discurso do Secretário Geral da FSM na 106ª Conferência da OIT